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Archive for abril 2015


Você que deseja começar uma história, sabe que tem que narrá-la de algum modo. A questão é: como você deseja narrá-la?

Escolha o narrador, primeiramente. 

Primeiro passo para escrever a sua obra: determine um narrador.
O "quem" que está contando a sua história é uma pessoa. Ela pode participar ou não da história e para decidir isso, meu colega... Aí você tem de ver se é a primeira, segunda, terceira ou todas as pessoas anteriores porém alternadas.
Alternar as pessoas? Então dá para eu fazer um livro com cada capítulo um narrador diferente!
Sim, caro leitor. É positivo, possível e real. O esquema da alternância vai de acordo com o seu querer, contudo tente não acabar fazendo uma bagunça de personagens. Lembre-se de que a história tem de ser lida e compreendida. Quer fazer uma história narrada metade por um personagem e a outra por outro? O último capítulo será narrado pelo cara que morreu no primeiro? Com sensatez, você pode fazer tudo, entretanto, isso não é muito recomendável para iniciantes.

Escolher a pessoa que narra é algo natural. Você geralmente acaba por fazer isso sem pensar "ok, em primeira pessoa: Eu investigava...". De qualquer modo, é ótimo relembrar quais são as pessoas da narração. Fora que às vezes ter as 'pessoas' na cabeça já ajuda.

Narrador: A 'pessoa' que narra
 São três as "pessoas que narram": primeira, segunda e terceira. Vamos ver cada uma delas.


Primeira pessoa: Esta é aquela "pessoa" que participa da história, que fala sobre ela mesma com toda a profundidade, e superficialmente sobre os outros. "Eu e Júlia corremos e caímos por várias vezes naquela noite mediante a toda aquela destruição" é um exemplo de frase com o narrador em primeira pessoa. A parte boa de escrever uma história onde um personagem narra como primeira pessoa é que a personalidade do mesmo se mostra por si só, já que o mesmo acaba por contar a história pelo seu ponto de vista (não necessariamente mostra apenas acontecimentos que presenciou, mas como também, a grosso modo, mostra a cena do jeito que ele "perceberia a situação" se estivesse presente), além de seus pensamentos, sensações e sentimentos que são inseridos durante a narração. Tudo isso são vantagens dessa narração que acabam por facilitar (pelo menos para muita gente) a criação e o desenvolvimento da história.
 Autores clássicos como Machado de Assis já utilizaram esse tipo de narração brilhantemente, assim como pode-se observar na obra Dom Casmurro, que o narrador é predominantemente (isso quer dizer, não durante todo o livro) em primeira pessoa e a narração serve como um dos álibis para a consolidação do supremo mistério acerca da possível traição de Capitu, uma das personagens principais do livro.

Segunda pessoa: a segunda pessoa é uma incógnita, pois muitos dizem que não existe, porém, tecnicamente, pode-se dizer que ela existe. A segunda pessoa é um narrador que percebe que existe um leitor e conversa com ele, como pode-se ver em um trecho do capítulo XXXIII de Dom Casmurro: "[...] Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. [...]". O vocativo ("chamamento") em destaque é o uso da segunda pessoa.

Terceira pessoa: a terceira pessoa é a mais conhecida como aquela que não participa dos fatos da história, só conta mesmo. Muitas vezes nem é personagem. "Ele correu, Ela correu"... Não há "eu" algum, não há a participação do narrador no enredo.

 Existe também um termo inglês chamado "self-inserction" que, em tradução literal para o português, é "auto-inserção", descreve quando o próprio autor se insere na narrativa, interagindo com os personagens como se fosse personagem, narrador-personagem ou afins.

Enfim, essa 'pessoa' que escolhemos para o narrador, na verdade,  é o tal do que se chama por aí de foco narrativo. E sabe o que é esse tal "foco narrativo"? Ele é o jeito como o narrador se posiciona em relação aos acontecimentos da história, como a pessoa que narra percebe as ocorrências. Sendo assim, podemos falar de dois tipos de "jeitos" do narrador, que vocês estão carecas de saber: 1. narrador onisciente; e 2. narrador observador. O primeiro sabe tudo e o segundo é o Bentinho (Dom Casmurro) hahah. Bom, se você não entendeu, eu explico:  o narrador onisciente é oni(tudo)//sciente(saber), ou seja, é ciente de tudo, sabe geral das coisas; já o narrador observador só sabe o que vê, se você for observar bem mas beeem direitinho, ele não tem "afirmações" de verdade e, sim, suposições. E é por isso que não podemos confiar veementemente no narrador observador que o Bentinho é neste foco narrativo de primeira pessoa tão engenhosamente colocado. Então, no trecho a seguir do www.portugues.com.br, percebe-se a relação do foco narrativo para com cada 'pessoa':

"De acordo com seu posicionamento, o foco assume distintas funções, entre as quais podemos citar:
* Foco narrativo de terceira pessoa – nele o narrador não participa ativamente dos fatos relatados. Nessa condição podemos afirmar que a narrativa assume um caráter mais objetivo, tendo em vista que ele permanece “do lado de fora”, limitando-se somente a nos repassar o que vê. Assim sendo, manifesta-se sob dois aspectos:

  •  Narrador onisciente – é o tipo de narrador que conhece toda a história, até mesmo o pensamento dos personagens.
  • Narrador observador – ele não conhece toda a história, apenas se limita a narrar os fatos à medida que eles acontecem. Assim sendo, o narrador se abstém de quaisquer intervenções, ou seja, não é concedida a ele nenhuma atitude que porventura possa nos adiantar o que ocorrerá.
* Foco narrativo de primeira pessoa – nesta modalidade, como o próprio nome nos indica, o narrador se torna também um personagem, assumindo a condição de narrador protagonista ou narrador coadjuvante. Por essa razão, afirma-se que traços subjetivos tendem a se manifestar, tendo em vista o envolvimento emocional mediante o desenrolar dos fatos".
Mas é claro que... todas essas definições não são grande coisa para você e sua imaginação, não é mesmo? Afinal, não é tão difícil assim fingir ser onisciente e esconder coisas do leitor... HuHuHuHu.

E por hoje é isso, pessoal! Manu espera que tenham gostado! ^-^

Referências que usei para o post: http://ficcao.emtopicos.com/estrutura/modos-de-narracao/ e http://www.portugues.com.br/literatura/foco-narrativo.html.

Dúvidas? Algo que ficou mal explicado? Por favor, avise-me! A barra para você deixar seu comentário está bem aí em baixo! ;) 


Acerca da Narração: o narrador e o foco narrativo

Por : Unknown
quinta-feira, 23 de abril de 2015
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